Friday, May 29, 2009

21 de Maio de 2009 - Liam Rocha Purcell



Primeira manhã de primavera em NY. Dia lindo de sol. Estava lendo o jornal em casa quando... ixi acho que a bolsa estourou!

Deu aquela sensação de medo e euforia ao mesmo tempo. Eu e Andrew pulamos num taxi para o consultório do meu médico, Dr. Ferber, no Upper East Side, longe pra caramba da nossa casa no Brooklyn. Não levamos nada, achavamos que voltariamos pra casa. Mas confirmado, ja estava em trabalho de parto com contrações de 10-10 minutos. O medico mandou a gente direto para o hospital. Mas haviamos aprendido que o ideal seria esperar o maximo possivel para evitar intervenções e resultar numa cesaria.

Decidimos entao ir ao Central Park dar um passeio. Compramos sanduiche, agua. Ficamos quase 3 horas no parque, meditando, pensando que dali a pouco teriamos nosso filhote. Foi especial.
As contrações comecaram a apertar e a ansiedade tambem e eu continuava vazando o liquido amniotico. Fiquei com a legging toda molhada, mas who cares.

Demos entao entrada no Lennox Hill Hospital. Fui levada para sala de parto onde passaria as proximas 12 horas. A minha enfermeira, Pam, uma afro-americana apaixonada por Soul Music amou o playlist que Andrew fez e nao saia do quarto ouvindo nosso ipod. Soul music e muita musica Brasileira, claro!
Foi assim... horas e horas. As contrações só aumentavam. Para não ficar confinada na cama com a anestesia, resistia à dor. Caminhei no quarto, dancei com Andrew meu grande parceiro, usei a milagrosa bola de pilates que a Pam trouxe pra mim. Aliviava a dor pela metade, Joana tinha razao. Fiz todas as respirações que aprendi.

Minha mãe conseguiu ficar comigo uma hora no quarto. Ela estava agoniadissima, imaginem. E eu ficava mais ainda por ela. Para preserva-la pedi que fosse pra casa esperar por noticias.

As 9-40 da noite não consegui mais lidar com a dor, chegava a dar ansia de vomito - que venha a happydural! Milagre da medicina. Pronto! Estava na cama, mas sem dor. Assistimos a final do American Idol (nos e todas as enfermeiras do hospital). E lá ficamos monitorando contrações. Dr. Ferber me checava a cada hora, dilatei de 1 cm para 3 cm e mais nada! As 2 da manha ele disse que nao havia de fato progresso e que deveriamos comecar a pensar no inimaginavel - a cesaria. Andrew pirou, mais que eu. O clima chegou a ficar tenso com meu medico quando Andrew disse que ele estava forcando uma cesaria. Pedimos pra ficar sozinhos no quarto, nos deram 1 hora pra pensar.
Mas nao tinha o que pensar. 1 hora depois, a surpresa - comecei a ter febre e minha pressào foi para o espaco. A cesaria tornou-se a unica opção e era pra já.

Quando vi estava dentro do centro cirurgico. Frio, iluminadissimo. Mais de 10 pessoas la dentro. E Andrew teve que ficar de fora enquanto me preparavam. Entrei em panico. Tremia dos pes a cabeca e chorava de medo. Só quando Andrew entrou na sala que consegui me controlar um pouco. Ele tambem parecia apavorado, nunca vou esquecer a carinha dele com aquela mascara.
As 321 da manha, do dia 21 de Maio ouvimos o choro. Em seguida Andrew recebeu nos braços nosso filho. Choramos, rimos muito.
Ficamos ali uns bons 15 minutos enquanto me costuravam. Pensamos- agora temos que dar um nome. Ben ou Liam? Liam. Liam Purcell.

3,5 quilos, 51 cm. Cabeludinho, castanho claro. Branquinho...lindo. Super alerta namorando o pai querido.

Estavamos exaustos. E minha pressáo continuava alta. Na sala de recuperaçcão me disseram que receberia na veia um medicamento - Magnesium - para evitar convulsões. E oxigenio.
Foram as 24 horas mais dificeis. Ainda assim nao desgrudei do filhote. Amamentei nas primeiras horas da vida dele. Andrew e minha mãe foram meus grandes suportes.

E foram assim os outros 3 dias no hospital. Mas surpreendentemente no segundo dia estava de pé, de banho tomado, feliz. No terceiro Dr. Ferber nos deu alta. Tiraram meus pontos (alias pontos não, grampos! Isso mesmo, me grampearam inteira, como mini-piercings)

No domingo, às 4 da tarde deixamos o hospital. Atravessamos a ponte do Brooklyn. Chegamos em casa.

Nós 3. Eu, Andrew e Liam.

7 comments:

  1. Amiga querida, troca correndo o cedilha de convulsões por "s"...

    Disso tudo fico impressionada como vcs pilharam mesmo pra ter normal tipo "custe o que custar". Isso quer dizer que vc já ta quase gringa mesmo hahahahaha! Se fosse aqui... já tinha caído na faca, linda e loira!
    Beiojs nessa diliçinha.

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  2. Oooooooooooooo meu senhor....E eu to que choro, chuva lah fora, jah conversamos, jah sabia a historia, mas lendo me lembrou mto do nascimento do Luka e de nos, mulheres, batalhadoras, guerreiras....Bem vindo ao mundo Liam! Bjs mil da tia Aline.

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  3. Chorei. Ainda choro. Minha amiga, congrats. Estou mega ansiosa pra conhecer Liam. Ele vai se apaixonar perdiamente pela Ana Sofia! Beijos e um abraco bem apertado nos tres.

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  4. Amiga!!
    Tô emocionada... Mas graças a Deus, agora está tudo bem. Depois desse relato acho que vou direto pra cesária, viu. (Não me xinga!)
    Agora é só curtir o fofo do Liam, o super maridão, e a mamãe, né.
    Beijos de Minas pra toda a família
    Cintia

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  5. Yula querida,
    que emocionante saber em detalhes como foi a chegada do fofo Liam. Deve ter sido o melhor sufoco da sua vida!!! Olha, 21 de maio é aniversário do Ale, meu irmao, a pessoa mais querida, com melhor coraçao que conheço. É daqueles caras especiais, que TODO mundo gosta, que todo mundo quer sempre estar por perto. Que o Liam tenha a mesma sorte do Ale. Nossa, estou tão emocionada, que só consigo desejar de coração que esta nova família seja muito, mas muito feliz mesmo. Com amor, Paula

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  7. Menina, que drama... ainda bem que o final foi feliz. Pelas fotos dos posts consecutivos eu percebi que tinha sido cesárea e achei estranho, afinal, no hemisfério norte isso só é feito em casos como o de vocês: último recurso. O Rafael também nasceu de cesariana, mas não foi nada punk. Até porque, morando no Brasil, a gente já tem outra forma de enxergá-la. Veja no blog dele a história - Pele de Pêssego/ fevereiro. Li para o Marco tudo aqui e ele mandou abraços. O filho de vocês é um fofo...Que Deus os abençõe e que ele traga muita alegria para a família. Viva a maternidade! Nossos bebês valem um caminhão de diamantes!

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